terça-feira, 5 de julho de 2011

Pequena consideração... saudade...

Na minha humana, e por isso, errante, medíocre e pequena concepção, saudade é um sentimento que se divide, inicialmente, em duas: a saudade prática e a saudade teimosa.
A saudade prática temos de tudo aquilo que já vivemos, de tudo o que já almejamos, das pessoas com as quais vivemos, e até mesmo de situações “normais”, tolas, mas que na sua simplicidade, trouxeram-nos ensinamentos únicos e memoráveis, que levamos pra toda nossa pequena passagem pela Terra. Mas há ainda outra saudade, a menos funcional, que temos não só de quem esteve conosco, nem do que vivemos, mas daquilo que projetamos. É uma mistura densa e perigosa de frustração e saudade. É um sentimento limitador, que atordoa e fere, dia a dia, a cada momento, o coração de quem a sente. Não apresenta referências diretas, mas sim, “relâmpagos”de aquilo que poderia ter vivido, do que poderia ter planejado e do que poderia, caso tivesse optado por outros caminhos, planejar pra seu futuro, agora tão mais próximo e urgente. Junto a essa última saudade, traz-se uma bomba-relógio que “tic-taca” no peito, ansiosamente, na espera pela coragem do reconhecimento do erro e na busca, enfim, pelo conserto dos erros, pela reconciliação e no atingimento, enfim, da suprema felicidade. Apresenta riscos se essa ousadia nunca chegar a níveis seguros, capazes de motivar o indivíduo que, frustrado, prosta-se a esperar o momento em que tivera coragem suficiente pra ir ao encontro daquilo que tanto deseja, sem talvez nunca tê-lo tido.
A primeira saudade é digna dos que amaram, durante algum tempo, ainda que sem saber, algo, alguém ou algum momento, período ou lugar de suas vidas, mas, cientes de que aproveitaram tudo o que tinham naquele momento a aproveitar, estão descansados, de consciência limpa, esperando novos desafios, novas pessoas e experiências, novos sentimentos, uma nova vida, quem sabe!
A segunda, amarga de tanta ansiedade, corrói e tranca os caminhos de quem tenta amar, viver e conhecer mais coisas. Sabe ela que, teimando da forma como teima, um dia cansará o peito de quem a sente, e essa pessoa, de duas alternativas, terá apenas uma: ou enfrenta a situação e se enfrenta o próprio querer, ou morre, de tanto querer, sem nada mais, nem ninguém querer.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sonhos... e saudades...

     Acordei inundado numa alegria quase infantil, aquela alegria que se têm quando a mãe chegava do trabalho, e eu saia correndo pra ir buscá-la na esquina da rua, próximo ao ponto de ônibus, depois de passarmos um dia inteiro longe um do outro. Mas não foi por esse exato motivo. Foi porque encontrei-me com ele. E esse encontro era proporcionalmente emocionante ao tempo que se passara na companhia da sua ausência. E num encontro tão saudoso e amistoso que me fazia feliz, como criança, só por existir aquele momento. Abracei, beijei, sorri e corri, porque ainda não havia devidamente anunciado sua volta. Estava naquela mesma situação que sempre marca a sua volta. Estava envolvido em outra coisa que chamara relacionamento, mesmo sabendo que ele nunca saíra da minha cabeça, do meu peito, dos meus planos e planejamentos. E afoito, corri pra anunciar seu retorno àqueles que necessitavam saber de sua volta. Mas quando retornei, olhei, e ele não estava mais, quando, naquele exato momento acordei.
     Era apenas um sonho. E eu, mais uma vez, com a voz embargada disse um “Ahh...”, decepcionado, reconhecendo a realidade. Talvez isso tenha sido só efeito de uma programação especial de Dia dos Namorados do último domingo, que assisti na TV. Mas o que importa mesmo, é que isso volta a acontecer, o que na verdade nunca deixara de acontecer. Reconhecer isso é, no mínimo, perturbador. Talvez Clarice me entenda, me traduza na sua angustiante obra.
     O pior de lidar com tudo isso não é sua aparição em sonhos que teimam em ilustrar minhas noites, meu adormecer. Dificil é lidar com tudo isso diariamente. Como diria Marisa Monte: “Não é fácil...”.
     Não faço mais comparativos, pois aprendi, “à duras penas” o quanto isso pode machucar ou ferir alguém, depois de alguns anos, buscando seus atos, condutas e percepções em outras pessoas, em outros relacionamentos, depois que ele saiu da minha vida. Mas embora não mais comparando – ao menos se faço, não o falo mais abertamente – ainda sinto sua falta.
     E a companhia da sua falta se faz mais presente nas horas de maior prazer, seja na militância política, nos estudos, nas discussões de cunho teórico-filosóficos, na vida acadêmica. Faz falta seu apoio, seu ombro, sua risada desajeitada, sua unhas roídas, seu caminhar, seu sorriso.E cada vez mais torna chata a vida nisso que tanto deveria me fazer seguro e feliz, pois ele não está aqui. Sua ausência só preenche o espaço que ele deixou vago aqui, no meu peito, incha-o e o machuca, mas não o substitui.
     Lembro de tudo, desde o 7 de abril, até o 26 de setembro. E isso dói. Dói mais por saber que isso é falta de diálogo, de coragem. E essa alegria infantil e ingênua que me toma nos sonhos, substituem minha covardia e meu medo na vida real.
     Pena que isso tudo foi só um sonho!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Que o amor seja Lei...

Quero deixar claro, que seja óbvio, breve, direto, objetivo e simples... Amar pode, sempre poderá... Não haverá impedimentos quando dois corações se encontram, quando duas pessoas se amam. Porque se até o sexo dos anjos é discutível, o que não seria diverso senão a existência humana?!
Enquanto homens se amam, não se matam, não se ferem...Se o amor fosse regra máxima da vida, não teríamos Guerras... E analisemos onde esse olhar frio, sem amor, sem afetividades nos levou... Primeiras, Segundas... e quantas Guerras?! Santas ou não, Guerras que mataram muita gente. Que desfizeram famílias, que corroeram de tristeza e corroem até hoje, milhares de corações que, sedentos de amor e afeto, preferiam as afetividades reconhecidas, do que o terror já institucionalizado pelas Políticas belicistas.
Viva o AMOR, viva a DIVERSIDADE, viva o AFETO, viva a VIDA, viva a LIBERDADE!!!

Homofobia no ambiente acadêmico no Dia Internacional de Combate à Homofobia

           Hoje, infelizmente venho até aqui pra desabafar sobre uma situação constrangedora ocorrida na noite de ontem, ao final de uma noite de 4 períodos de aula da matéria de Direito Civil II, onde o Prof. Dr. que ministra a disciplina de “Direito Civil II”, teve uma infeliz colocação sobre uma discussão importante em um País que se diz democrático, principalmente no que tange a sua área de atuação, o Direito Civil.
Estava eu, chegando ao final da aula na mesa do professor para assinar a ata de presenças, quando um colega de aula, usando de argumentos pífios, preconceituosos e ignorantes se referia a PLC 122/06, dizendo que era contra a aprovação porque ele não conseguiria sequer comer se visse, na rua ou em qualquer lugar, um casal homoafetivo trocando carícias. O professor, no exercício da honrosa missão de auxiliar no desenvolvimento da formação de futuros bacharéis em Direito, que deveria, por via de regra, servir de base à formação de um coletivo de profissionais comprometidos com a Igualdade e o respeito às liberdades, ante disposto Constitucional, deixa-se levar pelo preconceito intrínseco à colocação do seu aluno (meu colega de aula) e, de forma bastante pejorativa e ignorando a sua própria formação, reafirma o caráter preconceituoso da conversa, afirmando-se também contrário à qualquer manifestação afetiva pública de qualquer casal, usando do argumento de que se sentiria constrangido em explicar pra crianças porque os 2 homens ou as 2 mulheres estavam andando como se fossem um casal. Tal ponto de vista me deixou tão pasmo que, ao final da aula, cansado depois de um dia inteiro de trabalho, não quis contrapôr aos argumentos apresentados (na minha opinião, medíocres) e abrir a discussão.
Diante do exposto, previamente, de forma imediata conclui:
 1. A aprovação do PLC 122 é URGENTE e de suma importância, inclusive para a continuidade do processo de redemocratização do nosso País, visto que ainda somos um País que discrimina sim! Uma “Pátria Mãe gentil” que discrimina seus “filhos”.;
 2. Que ignorância e preconceito independe do grau de escolaridade e instrução de qualquer pessoa, pois o Professor citado, é Doutor, além, é claro, do próprio fato ter ocorrido numa sala de aula de Ensino Superior de um curso de Direito, onde, a priori, se deve prezar pelo saber científico, filosófico e social, atribuindo às Ciências Jurídicas seu papel transformador, na busca incansável por uma sociedade verdadeiramente justa.
E eu fui obrigado a ouvir aqueles absurdos em pleno Dia Internacional de Combate a Homofobia... logo eu, logo ontem. E ainda tem quem acredite que o PLC 122 não deva ser aprovado. Pode isso?!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A primeira vez a gente nunca esquece, nem a segunda...

Sejam bem vindos tod@s que chegam aqui. Como disse na descrição, decidi voltar a escrever por um simples motivo, cansaço de nunca mais dar espaço aos devaneios, às loucuras saudáveis de todo dia. Estou aqui de volta pra compartilhar com este vasto espaço cibernético, paradoxalmente, tão vazio e frio, quanto cheio de gente, buscando a mesma compreensão e o mesmo afeto que talvez a vida corrida e o stress diário tenham lhe tirado. Então, faça-se a luz!

  Estou de volta, e dessa vez, assumo um compromisso em manter atualizado este blog.

Deliciem-se ou amarguem-se com os posts.

Abraços a tod@s!!!