quarta-feira, 18 de maio de 2011

Homofobia no ambiente acadêmico no Dia Internacional de Combate à Homofobia

           Hoje, infelizmente venho até aqui pra desabafar sobre uma situação constrangedora ocorrida na noite de ontem, ao final de uma noite de 4 períodos de aula da matéria de Direito Civil II, onde o Prof. Dr. que ministra a disciplina de “Direito Civil II”, teve uma infeliz colocação sobre uma discussão importante em um País que se diz democrático, principalmente no que tange a sua área de atuação, o Direito Civil.
Estava eu, chegando ao final da aula na mesa do professor para assinar a ata de presenças, quando um colega de aula, usando de argumentos pífios, preconceituosos e ignorantes se referia a PLC 122/06, dizendo que era contra a aprovação porque ele não conseguiria sequer comer se visse, na rua ou em qualquer lugar, um casal homoafetivo trocando carícias. O professor, no exercício da honrosa missão de auxiliar no desenvolvimento da formação de futuros bacharéis em Direito, que deveria, por via de regra, servir de base à formação de um coletivo de profissionais comprometidos com a Igualdade e o respeito às liberdades, ante disposto Constitucional, deixa-se levar pelo preconceito intrínseco à colocação do seu aluno (meu colega de aula) e, de forma bastante pejorativa e ignorando a sua própria formação, reafirma o caráter preconceituoso da conversa, afirmando-se também contrário à qualquer manifestação afetiva pública de qualquer casal, usando do argumento de que se sentiria constrangido em explicar pra crianças porque os 2 homens ou as 2 mulheres estavam andando como se fossem um casal. Tal ponto de vista me deixou tão pasmo que, ao final da aula, cansado depois de um dia inteiro de trabalho, não quis contrapôr aos argumentos apresentados (na minha opinião, medíocres) e abrir a discussão.
Diante do exposto, previamente, de forma imediata conclui:
 1. A aprovação do PLC 122 é URGENTE e de suma importância, inclusive para a continuidade do processo de redemocratização do nosso País, visto que ainda somos um País que discrimina sim! Uma “Pátria Mãe gentil” que discrimina seus “filhos”.;
 2. Que ignorância e preconceito independe do grau de escolaridade e instrução de qualquer pessoa, pois o Professor citado, é Doutor, além, é claro, do próprio fato ter ocorrido numa sala de aula de Ensino Superior de um curso de Direito, onde, a priori, se deve prezar pelo saber científico, filosófico e social, atribuindo às Ciências Jurídicas seu papel transformador, na busca incansável por uma sociedade verdadeiramente justa.
E eu fui obrigado a ouvir aqueles absurdos em pleno Dia Internacional de Combate a Homofobia... logo eu, logo ontem. E ainda tem quem acredite que o PLC 122 não deva ser aprovado. Pode isso?!

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