Acordei inundado numa alegria quase infantil, aquela alegria que se têm quando a mãe chegava do trabalho, e eu saia correndo pra ir buscá-la na esquina da rua, próximo ao ponto de ônibus, depois de passarmos um dia inteiro longe um do outro. Mas não foi por esse exato motivo. Foi porque encontrei-me com ele. E esse encontro era proporcionalmente emocionante ao tempo que se passara na companhia da sua ausência. E num encontro tão saudoso e amistoso que me fazia feliz, como criança, só por existir aquele momento. Abracei, beijei, sorri e corri, porque ainda não havia devidamente anunciado sua volta. Estava naquela mesma situação que sempre marca a sua volta. Estava envolvido em outra coisa que chamara relacionamento, mesmo sabendo que ele nunca saíra da minha cabeça, do meu peito, dos meus planos e planejamentos. E afoito, corri pra anunciar seu retorno àqueles que necessitavam saber de sua volta. Mas quando retornei, olhei, e ele não estava mais, quando, naquele exato momento acordei.
Era apenas um sonho. E eu, mais uma vez, com a voz embargada disse um “Ahh...”, decepcionado, reconhecendo a realidade. Talvez isso tenha sido só efeito de uma programação especial de Dia dos Namorados do último domingo, que assisti na TV. Mas o que importa mesmo, é que isso volta a acontecer, o que na verdade nunca deixara de acontecer. Reconhecer isso é, no mínimo, perturbador. Talvez Clarice me entenda, me traduza na sua angustiante obra.
O pior de lidar com tudo isso não é sua aparição em sonhos que teimam em ilustrar minhas noites, meu adormecer. Dificil é lidar com tudo isso diariamente. Como diria Marisa Monte: “Não é fácil...”.
Não faço mais comparativos, pois aprendi, “à duras penas” o quanto isso pode machucar ou ferir alguém, depois de alguns anos, buscando seus atos, condutas e percepções em outras pessoas, em outros relacionamentos, depois que ele saiu da minha vida. Mas embora não mais comparando – ao menos se faço, não o falo mais abertamente – ainda sinto sua falta.
E a companhia da sua falta se faz mais presente nas horas de maior prazer, seja na militância política, nos estudos, nas discussões de cunho teórico-filosóficos, na vida acadêmica. Faz falta seu apoio, seu ombro, sua risada desajeitada, sua unhas roídas, seu caminhar, seu sorriso.E cada vez mais torna chata a vida nisso que tanto deveria me fazer seguro e feliz, pois ele não está aqui. Sua ausência só preenche o espaço que ele deixou vago aqui, no meu peito, incha-o e o machuca, mas não o substitui.
Lembro de tudo, desde o 7 de abril, até o 26 de setembro. E isso dói. Dói mais por saber que isso é falta de diálogo, de coragem. E essa alegria infantil e ingênua que me toma nos sonhos, substituem minha covardia e meu medo na vida real.
Pena que isso tudo foi só um sonho!
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